Numa paleta de cores, cinza é o mais vibrante.

Um dos maiores destaques no segmento rock em 2014 foi a banda O Terno, com seu disco homônimo. Lançado em vinil numa parceria entre os selos RISCO e 180 Selo Fonográfico, e em CD pela Tratore, o álbum é um dos títulos mais citados nas listas dos melhores do ano.

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Estamos no início do ano. Algumas pessoas já cerram os lábios no primeiro tempo fechado. O céu está cinza, aquelas pancadas de chuva desnecessárias, e o calor de temperaturas elevadas que entram numa louca simbiose com o humor. Como suportar?

O Terno ( sessão de fotos do álbum O  Terno - 2014)Talvez para tais fulanos, criou-se uma regurgitada cultura de que um dia cinza é feio, ou bobo e chato com cara de mamão, haha. Pode ser que para uma parcela da sociedade sim, mas para os caras da banda O Terno, a cor cinza mostrou que pode trazer inspirações do submundo sentimental. Cantar o mundano. Tocar a conversa não tida, a palavra não dita, a frase calada. Soar notas daquele papo que rolou solto só em pensamento. No ano de 2014, a banda paulista conseguiu tocar direto nas feridas sangradas por indecisões e pela boa, velha e inevitável: saudade.

Não pensem que o álbum trata de músicas para enfiar os dedos…. no nariz, haha, e chorar. Ao contrário, a saudade em questão, é a saudade gostosamente masoquista de sentir. O álbum inteiro é altamente indicado para os que precisam ficar uma época dentro do casulo para então reavaliarem a si mesmos. No segundo álbum, O Terno presenteia com composições super trabalhadas no aprimoramento não só musical e sim pessoal , demonstrando o que uma banda de atitude precisa na estrada que percorre: se reinventar e dar uma reviravolta nas emoções mais submersas.

Mês de julho. Ano passado. A equipe do site da Catarse, já fazia um apelo para a galera que quisesse contribuir com a finalização do projeto, se tratando de cobrir despesas de prensagens de CD e vinil até as divulgações. O pessoal da banda pedia um auxílio para depois, compensar com um retorno que segundo o depoimento desprendido do declamador de canções, Tom Zé, em resumo seria ajudar não a banda e sim os nossos netos. Ajudar nossos netos?

O Terno não é para ter o seu momento e evaporar na insignificância. Desde o princípio procuraram tornar com a mão das arrecadações, o álbum acessível para o público. Lançaram gratuitamente o download do álbum, e assim “dando o tapa e não escondendo a mão”. Hoje em dia uma banda querer se preocupar com a qualidade e abrangência que o seu trabalho vai repercutir e tocar diretamente no íntimo das pessoas, não apenas em como ele vai ser visto e reconhecido, é de valia extinta. Os nossos netos com certeza irão querer saber que no cinza se encontra um universo multicolorido de caráter, cooperação ao invés da cor que muitas vezes remete solidão, e valores.

Abraçar o público para perto e querer de algum modo abrir a visão do cenário musical brasileiro, eleva a lista de elogios ao álbum do trio. Quando falamos sobre, numa entrevista para a Revista Cult no ano passado, a resposta da terceira e última pergunta, finaliza com o principal compromisso que a banda tem, de não querer ser mais uma banda do “rolê alternativo de SP”, e sim de “explorar qualquer caminho que soe bem para eles e produzir música do jeito mais caprichado possível”. Citação dita pelo vocalista e guitarrista Tim Bernardes.

Para nós do 180 Selo Fonográfico, ter conhecido o trabalho de artistas como eles e ter o som deles no nosso catálogo, foi uma das conquistas de 2014, e um trunfo poder contar com a mesma admiração em 2015. Admiração que está com tudo para voar por qualquer via que nos leve junto com eles para a eclosão territorial de bandas independentes de qualquer sistema que priva a poesia, um escarro, o soco e o beijo quente.

A faixa cinza do disco do O Terno espera para todos que ainda não ouviram, ver que a cor cinza pode ser uma das mais brilhantes na vida dos delinquentes musicais. Os que sempre estão esperando para invadir territórios desconhecidos, desde que a música esteja de alma presente.

Saiba por onde O Terno teve destaque vestido de cinza em 2014:

  • Em votação popular, a faixa O Cinza ficou em 9º lugar na lista das melhores músicas nacionais de 2014 da revista Rolling Stone.
  • Na relação de melhores discos do ano no site O Globo feito no dia 31/12, que denominou o som da banda como “experimentalismo pop com toque de psicodelia e soul”. O salve da vez, fica para o vocalista Tim Bernardes que é elogiado pela sua voz.
  •  Pegando o embalo, dois dias antes o site da Revista Superinteressante categorizou eles no ranking das “Grandes músicas de 2014 que você ainda não ouviu”
  • O jornal Correio da Bahia, em setembro, nomeia os integrantes com : “Pinta de artistas”.
  • Em outubro, o jornal Correio Brasiliense afirmou que, ao sair do lugar-comum, a banda tem ajudado a renovar o rock nacional.
  •  O programa Cultura livre do dia 16 de agosto, dá um pontapé audiovisual, quando apresenta a banda “O Terno”. Não conseguiu acompanhar? Acesse aí!
  • A editora do serviço de streaming Deezer no Brasil inclui O Terno em 9º lugar entre os 10 melhores álbuns do ano de 2014.
  • Foi indicado como um dos “20 álbuns de 2014 que seus ouvidos merecem” pela revista eletrônica La Parola.
  • O Terno ficou em 3º lugar na lista dos 30 melhores discos nacionais de 2014 do site Músicombo.
  • Foi incluído na lista dos 10 álbuns nacionais de 2014 elaborada pelo site de downloads Eu Escuto.
  • O blog/coluna Amplificador do jornal O Globo incluiu o álbum entre os 10 melhores do ano.
  • Numa relação intitulada “50 discos independentes que você deveria ter baixado de graça em 2014” do site Hypelist, O Terno ficou em 26º lugar.
  • Na sua lista dos 50 melhores discos nacionais de 2014, o site Guitar Talks afirma que a banda é “uma das grandes revelações do cenário musical nos últimos anos”.
  • O Tenho Mais Discos Que Amigos declarou que com o novo álbum, O Terno mostrou porque”tem sido um dos mais badalados no rock alternativo brasileiro”, ficando em 5º lugar em um ranking dos 50 melhores discos de 2014.
  • O blog Rock In Press deixou O Terno em 2º lugar na lista dos 100 melhores álbuns brasileiros de 2014.
  • A Noize incluiu O Terno em 3º lugar na lista dos 10 melhores discos nacionais de 2014.
  • O site Catraca Livre incluiu O Terno na indicação dos 20 discos nacionais de 2014 para se baixar de graça.
  • Colocando em 6º lugar na lista dos 15 melhores álbuns brasileiros de 2014, o site Fita Bruta afirma que o álbum O Terno “é o mais apropriado para você indicar ao seu amigo que torce o nariz para as novas bandas daqui”.
  • A Atividade FM incluiu o álbum O Terno em 5º lugar na lista dos 30 melhores discos nacionais de 2014.
  • O site Som do Som incluiu O Terno na lista dos discos nacionais de 2014 para baixar.
  • O Terno ficou em 10º lugar na lista dos 50 melhores álbuns de 2014 do site Monkeybuzz.
  • No blog O Esquema, o jornalista cultural Alexandre Mathias colocou o O Terno em 25º lugar na lista dos 75 melhores discos de 2014 na coluna Trabalho Sujo.
  • Em votação com juri selecionadíssimo, O Terno ficou em 3º lugar na lista dos Melhores discos nacionais de 2014 do e-Zine Scream & Yell.
  • O coletivo internacional Beehype (integrado por jornalistas musicais, DJs e blogueiros de diversas partes do mundo) citou O Terno em 10º lugar na lista dos 30 melhores discos brasileiros de 2014.

(Camila Teixeira)

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